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domingo, 15 de abril de 2012

Invisível


Essas paredes não parecem mais um lar,
Essas pessoas não parecem mais uma família,
Esses móveis não parecem mais aconchegantes,
E você, bem você não se parece com quem conheci um dia.

Talvez não tenham sido as paredes,
Talvez não tenha sido a família,
Talvez não tenham sido os móveis que perderam o aconchego,
Odeio ter que admitir, mas talvez não tenha sido você quem mudou.

Essas paredes deixaram de ser o meu lar,
Essas pessoas deixaram de ser minha família,
Esses móveis não estão mais na posição que eu costumava deixar,
E você se mudou para um porão no meu subconsciente.

O que restou foi esse sentimento de estranheza
Onde não reconheço mais as emoções que senti à flor da pele,
O que restou foi essa mágoa por ter crescido contra a minha vontade,
O que restou foi a saudade de ter alguém que cuidasse de mim.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Coisas Antigas

Portas antigas que ao serem abertas levam a lugares esquecidos
Trilhas abandonadas, trajetórias refeitas,
Um futuro que não aconteceu.

Janelas antigas que apontam paisagens nostálgicas
Visões distorcidas, imagens embaçadas,
Sonhos que se desencontraram da realidade.

Gavetas antigas que guardam o que não é mais
Fotos, roupas, sapatos, lembranças,
Atitudes e pensamentos que já não servem mais.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Lixo verbal


De repente ela não sabia o que escrever,
De repente tudo era um lixo,
De repente aquele prazer de transcrever suas angustias em versos tinha acabado.
Faltava inspiração, faltava sofrimento, faltava amor.
Faltava ódio, faltava mágoa, faltava paixão.

Não foram apenas sonhos que se perderam naquela noite de maio.
Por que criar um soneto quando se pode “tuitar” seu estado de espirito?
Por que elaborar um texto quando se podia jogar uma indireta no facebook?
De repente ela não sabia o que escrever
De repente isso tinha se tornado ainda mais desnecessário.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Será (não é a musica de Legião Urbana)

Será que existe mesmo uma única pessoa destinada a amar e completar outra?
Será que a alma gêmea é mais que uma lenda?
Será o destino maior que o livre arbítrio?

E se, de fato existir, seria você minha metade?
Você, o visitante dos meus pensamentos?
Aquele que trouxe uma estranha calmaria?

Será o verdadeiro amor esse, tão fraternal?
Será esse o segredo? Companheirismo?
Ou será que tudo isso servirá apenas como recheio desse poema?

Como viverei longe das guerras provocadas pela paixão?
Como se pode controlar um incêndio sem matá-lo?
O que trará o futuro? E se fosse amor, eu não saberia?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Isso não é um poema

Quando você partiu, demorou um longo tempo até que eu me acostumasse com as lembranças espalhadas ao sabor do vento, e toda noite tua lembrança vinha me ninar. Depois de um tempo passei a notar que não eram as lembranças mais bonitas que vinham primeiro, apenas aquelas em que havia muito suor e pouca roupa. Mas bastava, ainda era o suficiente.
E quando me perguntavam sobre teu retorno, bem lá no fundo te imaginava com as malas nas mãos, voltando pra ficar, mesmo que da minha boca só saísse: É definitivo, não haverá retorno algum! E assim os dias se arrastavam, teus sinais de fumaça chegavam dia após dia e era como se isso me bastasse.
De repente o homem nú das minhas lembranças foi se tornando cada dia menos significante, como se nunca eu o tivesse conhecido de fato, e quando pude enfim te ver de novo, sem o ódio do abandono, vi que não restava mais nada, aquele turbilhão de emoções e sentimentos que só você sabia ligar dentro de mim havia desaparecido por inteiro, quando ouvi de novo a pergunta que me fazia te ver voltando pra mesma casa antes tão vazia e pronunciei a mesma resposta ensaiada e pela primeira vez na minha vida, ela não era mais uma mentira.
Nunca desprezei tanto o sentimento de liberdade, nunca me aborreci tanto por ter o que queria, nunca desejei tanto mentir pra mim mesma. Foram dias de choro, musicas de gosto duvidoso e, claro, xingamento a coisas triviais.
Pela primeira vez em anos eu não sofria a sua falta, mesmo grande parte de mim querendo lamenta-la, apenas pra me sentir humana mais uma vez...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Estatristica

Vários dias se passaram e aquela velha angustia se perpetuava,
Agonia conhecida de tão longa data que já podia se dizer íntima,
Tudo baseado em suspeitas, suspeitas essas que nunca haviam falhado

Mas dessa vez, havia algo diferente,
Havia uma enorme vontade de achar um simples erro de calculo
Talvez revendo a estatística

Nada! A certeza arrogante permanecia intacta
Não restava alternativa a senão rejeitar a hipótese de que tudo permanecia como era antes
E assim seria....

Assim seria se as coisas do coração fossem validadas por números
Mas felizmente não são.

Então só dessa vez, não custava nada viciar os dados,
E enxergar aquilo que bem entendia, apenas para que o sono voltasse de uma vez.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Felizes por agora



Se hoje te amo é por que não posso

Se agora penso em você todo dia


É por que não pensei antes



E na verdade só te quero por isso

Por ter certeza que é impossível,

Apenas por representares algo irreal



E não pense que digo isso como quem lamenta,

Pelo contrario, exalto só sentir agora

E não outrora, quando podíamos



Não espero que ninguém entenda

Apenas cansei doa amores náufragos

Prefiro agora os platônicos

Os pálidos, frágeis e tísicos amores platônicos

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Quinze Minutos


Certezas que duram quinze minutos,
Certezas que se renovam a cada quinze minutos, ou não.
Bobas certezas, mas ainda sim, certeiras.

Vontades que duram quinze minutos,
E se renovam de vez em quando, ou de vez em sempre.
Impossíveis vontades, ainda sim, vorazes.

Paixões que duram quinze minutos,
E se renovam mais do que deveriam, ou que morrem sem permissão.
Estupidas paixões, ainda sim perfeitas em si mesmas.

Alegria, tristeza, entusiasmo, desanimo, riso, choro,
Coisas que duram quinze minutos naturalmente,
Mas que são renovadas a gosto na receita da vida de cada um.

sábado, 12 de março de 2011

Coisas Avulsas

 

Pessoas amam ideais.
Pessoas perseguem a perfeição.
Como isso é chato!

O que me fascina nas pessoas são os defeitos,
O lado sombrio de cada um.
Isso é o que no torna reais.

Não consigo lidar com principes encantados em cavalos brancos,
Sou amante dos herois picarescos, do jeitinho brasileiro e suas trapaças.
Fiz-me anti-heroi
Fiz-me anti-padrão
Por que essa é a única forma que conheci de ser livre,
Foi assim que aprendi a voar.